Sequoia - Fruit and Songs (1999)

Ora aqui está um álbum que ocupa um lugar cimeiro nas minhas preferências. É provável que muito pouca gente conheça. Por um lado, lamento esse facto, visto que, creio, merecia muito mais do que aquilo que teve.
Um álbum assim, não chega aos tops, a meu ver, por várias razões. Por exemplo: trata-se de algum muito intimista, que puxa mais por um pedaço de tarde de domingo, em que, não havendo muito mais a fazer, vamos ocupando o tempo com actividades para combater o stress. Escrever, por exemplo. Pintar, esculpir ou moldar… ou então não fazer absolutamente nada. A sonoridade e a envolvência de “Fruit and Songs” a isso convida.
As memórias que guardo ao ouvir este disco, são isso mesmo. Muito intimistas. São cenas passadas a dois. Ou mesmo a sós. A dois, construindo momentos muito nossos, durante a quietude de um quase sono, depois da loucura rasgada entre beijos e carícias, e muito mais. A sós, caminhando pelos becos escuros dos meus pensamentos, construindo frases que nunca o chegaram a ser, ou vendo cenários que só eu vi.
Lembro-me de pôr o disco a rodar, em modo de repetição, adormecer ao som de “The Sun In My Mind”, ou de “U-Turn”, já quando o Sol forçava a sua presença pelo final da madrugada, e acordar com o mesmo som, num volume baixo, quase um murmúrio. “Afternoon Tea” é, para mim, um dos temas mais bem conseguidos deste registo. Na sua simplicidade – apenas voz e guitarra – consegue, ainda hoje, despertar sensações dentro de mim. Calmaria depois de momentos de agitação ou inquietude. Conforto depois de cansaços inesperados, cansaços de alma, de corpo, de coração…
A primeira vez que ouvi “Fruit and Songs”, a primeira faixa do disco, e, naturalmente, o primeiro single, foi num conhecido programa de música da RTP1, num sábado de tarde. Houve, quase de imediato, uma grande empatia com a sonoridade, que apostava em explorar as guitarras, com letras simples, de muito bom gosto, metafóricas quanto baste. Estávamos em 1999. Pouco tempo depois, numa das minhas regulares visitas à loja da Valentim de Carvalho da baixa de Coimbra, encontrei o disco, que reconheci de imediato. O nome Sequoia estava gravado na minha memória desde aquele sábado. Quase me atrevo a dizer que foi o disco que me procurou a mim, pois, e apesar de ter gostado imenso do som, sem perceber muito bem como ou porquê, não senti grande preocupação em procurá-lo. Mas, nessa tal visita, depois de percorrer umas quantas prateleiras, e já quase a desistir, por não conseguir encontrar nada que me prendesse realmente a atenção, lá estava ele, como que à minha espera. E o namoro começou. Ainda hoje consigo sentir coisas novas ao ouvi-lo. Provavelmente, aliás, quase de certeza que a maior parte das pessoas, se o ouvisse, não encontraria nada de especial. Mas eu encontro. E muita coisa. Talvez por me ter acompanhado em momentos específicos, em fases importantes da minha vida. Talvez por ter visto que, mais do que uma dúzia de canções, havia outras tantas histórias, que, se calhar, foram e continuam a ser vividas por mim. Cada canção pode ser um episódio deste meu livro de vida. Ou mais do que um, certamente.
E mais um ponto para este conto: os músicos são portugueses!
Convido-vos a descobrir “Fruit and Songs”. Descubram-no com a alma, com o coração. Ouçam-no em momentos mais vossos. Encontrem-se convosco mesmos, e vivam-no. Se procurarem bem, pode ser que o encontrem por aí. Se procurarem bem, pode ser que se encontrem bem dentro de vocês.
Isto é o que vou vivendo. E o que vou ouvindo.
Abraços!

