Revivalismos

Hoje passei o dia acompanhado pelo som dos Creedence Clearwater Revival. Às vezes sabe bem, recuar para tempos que nunca vivemos, mas que conseguimos pelo menos imaginar.
Os Creedence – ou os Revival, ou, ainda mais simples, os CCR – conseguiram ser, musicalmente, o oposto do seu próprio nome: músicos descomplicados que fundiram, magistralmente, diga-se, dois estilos muito americanos: o country e o rock. E o resultado foi um excepcional compêndio de boa música. Da tal que perdura, que não é efémera. Como eu gosto, portanto. Basta ver que ainda hoje, não são poucas as canções dos Creedence que são trauteadas, cantadas, karaokizadas, martirizadas, assassinadas, e, porque não, revividas por tantos, desde o mais anónimo e desafinado cantor de chuveiro até aos maiores nomes da música à escala mundial. Lembro-me, a este propósito, do concerto de Wembley em que os próprios elementos dos Queen interpretaram o celebérrimo “Hello Mary Lou”, levando a multidão ao rubro. E foi tão simples – uma guitarra, um baixo, uma pandeireta e o Freddie a cantar. Tão simples como a própria música da formação americana. Mas ao mesmo tempo tão marcante como ela mesma.
O grupo formou-se ainda nos anos ’60 do século passado, quando Tom Fogerty já se havia juntado ao seu irmão John, a Doug Clifford e a Stu Cook. Depois de alguns êxitos locais, sob outros nomes, adoptam a designação com que viriam a ter sucesso mundial, embora numa demasiado curta carreira de apenas cinco anos. Só que, durante esse tempo (1967-1972), eles conseguiram arrecadar nada menos que nove discos de ouro e sete de platina, entre LP’s e singles! Vá-se lá saber porquê…
Na minha memória está aquele que foi o seu último álbum de estúdio, “Mardi Gras” (1972), que, segundo o que se diz por aí, já transparece os primeiros sinais de separação, pois, se até aí era John Fogerty que compunha em exclusividade, neste trabalho já aparecem algumas composições de Doug e Stu. Além disso, Tom Fogerty já não participa nele. O facto é que, desde então, a separação foi até bastante rápida. Este disco faz parte da mobília cá de casa, mas durante toda a minha vida fez parte da mobília da casa dos meus pais, onde vivi até aos meus 18 anos. Todo esse tempo me lembro de ter este álbum sempre perto do gira-discos. Era um fascínio ouvir aquelas melodias tão contagiantes, com o ruído típico da agulha explorando os sulcos do vinil. Esta combinação era perfeita, até porque, lembro-me, pensava que aquele disco seria tão valioso como um tesouro, visto que conseguia ser dois anos mais velho que eu! E aquela sonoridade antiga, o som do pó a acumular-se na agulha… era impossível não viajar.
Hoje, este consegue continuar a ser um grande disco. Claro que, segundo os especialistas, parece que não é o melhor. Provavelmente terei de concordar. Mas é, sem dúvida, entre todos os álbuns que conheço dos Creedence, o que me leva a viajar mais longe nas minhas memórias. Claro que da minúscula colecção de discos de vinil que estava em casa dos meus pais, fazem parte outros nomes. Porém, se me dessem a escolher apenas um, o disco que eu nunca venderia, nem deitaria fora é o “Mardi Gras”. E o engraçado é que, quando era bem mais jovem, como não sabia quase nada daquele disco, a não ser as suas melodias, cheguei a ter dúvidas sobre se “Mardi Gras” seria o nome da banda, e Creedence Clearwater Revival o nome do disco…
Os Creedence – ou os Revival, ou, ainda mais simples, os CCR – conseguiram ser, musicalmente, o oposto do seu próprio nome: músicos descomplicados que fundiram, magistralmente, diga-se, dois estilos muito americanos: o country e o rock. E o resultado foi um excepcional compêndio de boa música. Da tal que perdura, que não é efémera. Como eu gosto, portanto. Basta ver que ainda hoje, não são poucas as canções dos Creedence que são trauteadas, cantadas, karaokizadas, martirizadas, assassinadas, e, porque não, revividas por tantos, desde o mais anónimo e desafinado cantor de chuveiro até aos maiores nomes da música à escala mundial. Lembro-me, a este propósito, do concerto de Wembley em que os próprios elementos dos Queen interpretaram o celebérrimo “Hello Mary Lou”, levando a multidão ao rubro. E foi tão simples – uma guitarra, um baixo, uma pandeireta e o Freddie a cantar. Tão simples como a própria música da formação americana. Mas ao mesmo tempo tão marcante como ela mesma.
O grupo formou-se ainda nos anos ’60 do século passado, quando Tom Fogerty já se havia juntado ao seu irmão John, a Doug Clifford e a Stu Cook. Depois de alguns êxitos locais, sob outros nomes, adoptam a designação com que viriam a ter sucesso mundial, embora numa demasiado curta carreira de apenas cinco anos. Só que, durante esse tempo (1967-1972), eles conseguiram arrecadar nada menos que nove discos de ouro e sete de platina, entre LP’s e singles! Vá-se lá saber porquê…
Na minha memória está aquele que foi o seu último álbum de estúdio, “Mardi Gras” (1972), que, segundo o que se diz por aí, já transparece os primeiros sinais de separação, pois, se até aí era John Fogerty que compunha em exclusividade, neste trabalho já aparecem algumas composições de Doug e Stu. Além disso, Tom Fogerty já não participa nele. O facto é que, desde então, a separação foi até bastante rápida. Este disco faz parte da mobília cá de casa, mas durante toda a minha vida fez parte da mobília da casa dos meus pais, onde vivi até aos meus 18 anos. Todo esse tempo me lembro de ter este álbum sempre perto do gira-discos. Era um fascínio ouvir aquelas melodias tão contagiantes, com o ruído típico da agulha explorando os sulcos do vinil. Esta combinação era perfeita, até porque, lembro-me, pensava que aquele disco seria tão valioso como um tesouro, visto que conseguia ser dois anos mais velho que eu! E aquela sonoridade antiga, o som do pó a acumular-se na agulha… era impossível não viajar.
Hoje, este consegue continuar a ser um grande disco. Claro que, segundo os especialistas, parece que não é o melhor. Provavelmente terei de concordar. Mas é, sem dúvida, entre todos os álbuns que conheço dos Creedence, o que me leva a viajar mais longe nas minhas memórias. Claro que da minúscula colecção de discos de vinil que estava em casa dos meus pais, fazem parte outros nomes. Porém, se me dessem a escolher apenas um, o disco que eu nunca venderia, nem deitaria fora é o “Mardi Gras”. E o engraçado é que, quando era bem mais jovem, como não sabia quase nada daquele disco, a não ser as suas melodias, cheguei a ter dúvidas sobre se “Mardi Gras” seria o nome da banda, e Creedence Clearwater Revival o nome do disco…
Isto é o que vou ouvindo.
Abraços!

