Sunday, January 31, 2010

The Beatles - 50 anos

No passado Sábado, dia 30 de Janeiro, uma série de acontecimentos casuais levaram-me a procurar com mais curiosidade qualquer coisa sobre a grande banda do Século passado.

Por muitos considerados como a maior banda Rock de todos os tempos, para mim são, não haja dúvida, um marco da música popular de raiz anglo-saxónica, que influencia ainda hoje muito do que vamos ouvindo.

O facto de ter ido parar, como que por acaso (?), ao mais recente e maior centro comercial da Guarda, levou-me a dar conta, por causa de uma homenagem daquele espaço, do 50.º aniversário da aparição dos Beatles na vida de quase todos nós. E quando digo quase todos nós, não me enganos muito, pois, mesmo os meus pais contaram alguns episódios que recordam acerca dos Quatro de Liverpool. Não que sejam admiradores da música, da imagem, da irreverência da época, mas por se lembrarem de toda a máquina que existia à volta de quatro jovens, que faziam uma música estranha e tinham o cabelo muito comprido (!!!). Mesmo assim, as jovens caíam de amores por eles, fosse pelo que fosse.

Já pela noite, fui quase obrigado a regressar ao tal centro comercial. E lá estava uma banda de tributo aos Beatles. Nada maus, os rapazes que imitavam, como podiam, claro, as canções mais tocadas em todo o mundo. Algumas pessoas paradas, ouviam, na sua maioria imóveis, canções como “Get Back”, “Ticket to Ride”, entre outras, que acabei por não ouvir, pois já tinha despachado o que me levou àquele sítio, e digamos que, embora eu ouça música em qualquer lado, não estava com muita disposição para estar num centro comercial a ouvir Beatles. Louve-se, embora, a iniciativa, que considero muito original.

Pelos corredores, entre as lojas, alguns placards apresentavam os principais tópicos da história da Banda. Confesso que, nunca tendo sido grande admirador dos Beatles, mas reconhecendo-lhes o valor, também nunca procurei saber muito acerca do seu percurso. Assim, enquanto perdi de vista a minha mãe, fiquei a saber que o Eric Clapton colaborou numa das que pessoalmente considero como uma das mais bonitas canções deles: “While My Guitar Gently Weeps”. Segundo o texto, Clapton conseguiu mesmo pôr a guitarra a “chorar”, o que, para um senhor como ele, não terá sido muito complicado. Digo eu, não sei…

“While My Guitar Gently Weeps” é uma linda canção, que conheci nos meus saudosos tempos de “Nightingales” (um dia dissertarei um pouco acerca desta banda… bons tempos!...), através do meu amigo Xano (Alexandre Folgado, senhor da melhor voz que já me passeou pelos ouvidos, e que eu tive o privilégio de acompanhar em várias ocasiões). Nada como procurarem na internet, pois deve haver imensas versões, umas bonitas, outras nem tanto.

Os Beatles influenciam ainda hoje a música popular, e quase tudo o que é música, quase todo o que é músico, alguma vez, em alguma circunstância, pelo menos trauteou uma canção deles, tal é a sua presença na sociedade. Em relação a isto, gostava de terminar este texto com três pequenas histórias que aconteceram na minha vida, e que estão relacionadas directamente com os Beatles.

A influência desta banda chega a quase todo o lado. Exemplo disso é o facto de, quando eu era um jovem músico no Orfeão do Centro Cultural da Guarda, ter interpretado em vários espectáculos o tema “Yesterday”, num arranjo interessante para coro e orquestra típica. E a imagem que guardo no baú das recordações, é estar a interpretar essa canção no velhinho, saudoso, moribundo Cine-Teatro da Guarda. E lembro-me também de estar a comentar com os meus colegas de orquestra que tinha corrido muito bem para o que era costume.

Durante muito tempo, esse era um dos pouquíssimos temas que eu conhecia dos Beatles. Ainda hoje é, provavelmente o único que sei a letra toda de cor, o que em mim – e quem me conhece sabe bem – é muito raro acontecer. E foi isso que me levou, uma vez, a aceitar o desafio de interpretar essa mesma canção num concurso de Karaoke. Seria talvez o ido ano de 1994. Estando eu já por Coimbra como estudante, lembro-me que estava com alguns amigos e decidimos entrar num bar (“Urbanidades”, mais tarde “Famous Mouse”), onde decorria um concurso de karaoke. Quem vencesse nessa noite, iria estar presente numa final, que tinha como prémio um fim de semana na Madeira. Como já começava a ser conhecida, entre os meus amigos, a minha “veia de cantor”, fui quase empurrado para o palco. Devo confessar que a atitude deles foi quase um afago ao meu ego… tenho que admitir que, por vezes, gosto de ter as atenções viradas para mim. E lá me fui inscrever no tal concurso. Comecei por cantar “Should I Stay Or Should I Go”, um clássico dos Clash, influenciado ainda pela recente “carreira” como vocalista dos Ala Norte. A minha interpretação colocou-me em primeiro lugar, ex-aequo com um rapaz que cantou, também muito bem, “New York, New York” do Frank Sinatra. Foi necessário cantar de novo para se decidir quem passaria à final. E foi então que escolhi cantar a única que eu sabia dos Beatles: “Yesterday”. Infelizmente não fiquei apurado, pois, apesar de não me ter corrido mal de todo, era o público que decidia quem passava. Eu estava com meia dúzia de amigos. O outro rapaz tinha a faculdade dele quase em peso… Valeu pela experiência.

Quando há pouco dizia que quase todo o que é músico já interpretou, ou pelo menos trauteou Beatles, tenho que sublinhar de forma muito carregada o “quase”. Há uns bons dezoito ou dezanove anos, frequentei um pequeno curso de direcção coral, no Centro Cultural da Guarda, orientado por um grande senhor da música, de renome internacional, Roberto Alejandro Pérez. Trata-se de um maestro argentino que já dirigiu as grandes orquestras a nível mundial, actuou nas mais belas e famosas salas do mundo. Um nome grande da música, portanto. E, claro, com um conhecimento vastíssimo no campo da música. Tenho que admitir que foi realmente um privilégio poder assistir àquele curso, que me enriqueceu muito a nível musical. Nessa altura, eu e alguns amigos, entre os quais o meu irmão Luís, dávamos os primeiros passos na música pop/rock, e formávamos uma banda que, entre muitas outras canções, algumas também originais, interpretava o mesmo “Yesterday”, numa versão muito adolescente. Num dos intervalos do referido curso, decidimos entrar na sala de ensaios da nossa banda, visto que tudo decorria na mesma casa, o Centro Cultural da Guarda. Quando demos conta, o Maestro estava à porta, com um enorme sorriso, a apreciar a nossa performance. Imediatamente, um pensamento irrompeu pelas nossas mentes: “concentremo-nos, não podemos falhar!” Qual não foi o nosso espanto quando, no final da nossa prestação, o Maestro bateu palmas, dizendo, com o mesmo sorriso: “Muito bonito, sim senhor! Que música é esta?” Adorava ter uma câmara que tivesse filmado as nossas expressões, um misto de incredulidade com escândalo: “Beatles…? Yesterday…?” Ao que o Maestro respondeu: “Ah, muito bem… Não conheço…”

Isto é o que vou recordando. E o que vou ouvindo…


Abraços!