Sunday, January 25, 2009

Saudade. Amália.


Amália Rodrigues é uma figura sobre quem já se disse tudo o que havia para dizer. No entanto, como é possível que ainda mexa connosco?

Hoje é domingo. Lá fora está frio, e eu estou sentado no sofá. Como não tenho nada para fazer, decido correr os canais da televisão para ver se há alguma coisa de interessante para passar o tempo. Tropeço sem querer na RTP Memória, onde passam um programa qualquer, provavelmente dos anos 80 do século passado, apresentado por Fialho Gouveia. Os convidados são figuras grandes da arte em Portugal: Raul Solnado e Amália Rodrigues. O tema de conversa andava à volta de um compositor português, Frederico Valério, que, entre vários outros, compôs o tema “Amália”, que viria a ser imortalizado na voz da própria.

Ora, eis que estava eu a ouvir as palavras dos intervenientes do programa, quando o Fialho Gouveia pede à Amália para interpretar esse mesmo fado. Nunca conseguirei explicar a razão de uma pessoa se arrepiar quando ouve alguém a cantar, mas foi o que me aconteceu, assim que comecei a ouvir a voz da fadista. E não foi pequeno o arrepio… e garanto-vos que não estava com frio, apesar de lá fora estar a nevar!

Ainda não tive oportunidade de entrar para as duzentas e tal mil pessoas que já viram o filme sobre a vida da Amália Rodrigues, mas sei que comungamos do mesmo sentimento. É um sentimento que o posso comparar ao de patriotismo. Amália tornou-se num símbolo da Nação, num aspecto da personalidade dos portugueses. Vivemos e respiramos ao som inconfundível, inimitável, inatingível da sua voz.

Podemos perguntar a qualquer português, o que lhe diz o nome Amália Rodrigues. Concerteza que pouquíssimas pessoas sabem dizer ao certo porque gostam de ouvir a Amália a cantar, embora possamos ouvir as mais variadas explicações. Até mesmo nos seus últimos anos de vida, quando a voz não ajudava, conseguia puxar pelos mais profundos sentimentos das pessoas.

Creio que o sentimento que temos pela figura da cantora, será equiparado a outro sentimento que, não sendo exclusivamente português, não existe em mais língua nenhuma do mundo uma palavra com o mesmo significado: saudade.

Saudade. Amália. Duas palavras. Dois sentimentos. Um povo. Uma pátria. Um arrepio… Saudades de Amália. Num domingo à tarde, sem nada para fazer.

Isto é o que vou ouvindo.

Wednesday, January 21, 2009

João Aguardela (R.I.P.)

Foto: http://blitz.aeiou.pt


Nada me pode deixar mais triste do que iniciar as minhas publicações neste espaço com esta triste notícia, que, aliás, já não é novidade.


João Aguardela morreu.


Aos 39 anos de idade, a menos de um mês de cumprir os 40, o João partiu, derrotado pela doença. Mas deixou obra feita. E que obra!

Marcou, sem dúvida nenhuma, uma geração inteira, com a sua "Vida de Marinheiro". Ainda hoje se vai ouvindo esta expressão por aí. E nada mais evidente do que uma expressão que perdura no tempo para marcar o valor de alguém que lutou muito pela música nacional. É destas coisas que se faz a música que eu gosto: mensagens que perduram no tempo, canções que se ouvem vinte anos depois e ainda nos soam a novo.

Abomino tudo o que é efémero e apenas com valor comercial. Mas considero que também tem a sua importância, pois para haver o preto tem que existir o branco. Ou seja, para haver o bom tem que existir o mau, senão, como é que sabíamos que era bom? Cito, a este propósito, o que li uma vez na capa de um disco dos Enigma: "If you believe in God, then you have to believe in the Devil" (Se se acredita em Deus, então tem que se acreditar no Diabo).

A propósito do desaparecimento prematuro do João, gostaria agora de transcrever o que escrevi noutro site, apenas para completar um pouco mais este post:


"Só é pena que as pessoas não lhe tenham dado o devido valor em vida. É o costume, quando morre alguém tudo corre a dizer maravilhas, mesmo que em vida lhe virassem a cara sistematicamente. O que conta para este povo é o facilitismo, ninguém quer perder tempo a ouvir, interiorizar, mastigar e digerir boa música, música com substância, da qual saem emoções e sensações e sentimentos, quando se espreme. O que conta para esta gente é ver um paneleiro qualquer de peitaça à mostra, cabelo arranjadinho na moda, o focinho cheio de cremes e bases, a mexer as ancas como quem está a mandar uma à porno style e a cantar "Por isso mesmo, Baila p'ra mim/Que eu fico louco/Baila p'ra mim/Dá-me o teu fogo"... MAS QUE É ISTOOOO!!! Há quem diga que este país precisava de uma limpeza. Concordo. Até na música era preciso uma limpeza a fundo. Infelizmente quem limpa só leva o melhor... Já cantava o Represas "Mas Deus leva os que ama/Só Deus tem os que mais ama"
João Aguardela era um homem de valor, que foi reconhecido em vida por muito poucos. Valha-nos a obra que deixou, e que eu convido toda a gente a descobrir. Coisa que já todos devíamos ter feito há muito tempo. Sugiro que ouçam com muita atenção e mente aberta o projecto que abraçou com Luis Varatojo "A Naifa". Nele existe uma muito interessante mistura de música tradicional com música pop. E é um projecto à medida do João, experimental, mas com uma imensa personalidade. Ouçam, ouçam, vale a pena, garanto-vos.
Até sempre, João. Onde quer que estejas, o teu valor será sempre grande!"
in www.relfortuna.net

Isto é o que vou ouvindo.


Abraços

O Início

Nas minhas memórias mais antigas consigo encontrar algo que ainda hoje mantenho e faço esforços por manter. A Música, essa arte tão universal, e que pode até dividir as pessoas (não tanto como outras coisas, como clubes de futebol, por exemplo, mas ainda assim...), sempre me acompanhou. Quando era novo, muito novo ainda, lembro-me que os meus presentes de aniversário e de Natal tinham sempre que ver com a música. Enquanto eu via os outros miúdos a receber carrinhos, pistas de combóios e pistolas, eu recebia, e sempre com grande entusiasmo, guitarras, pianos, flautas, acordeões, baterias... tudo de brincar, mas com uma clara mensagem dos meus pais para o meu futuro: uma arma não precisa matar para ser poderosa. E a Música pode ser uma arma bastante poderosa!
Essa é a mensagem que eu trago comigo na minha vida. Esse é o grande ensinamento que os meus pais me deram e que eu guardo com carinho, como um tesouro muito valioso. Como, aliás, tudo o que os meus pais me deram.

É sobre música que eu vou falar neste espaço. Falo da música que vou ouvindo. E faço-o de maneira despreocupada, falando do que eu gosto, expressando nada mais que a minha opinião.
Não esperem artigos de crítica musical. Recuso-me a fazê-lo, pois deixaria de ser algo meu, para ser uma opinião baseada em outras directrizes que não a pura e simples opinião pessoal.
Vou falar dos discos que ouço (assim como outras novidades que vou sabendo, claro), e deixar aqui o que sinto ao ouvir esses discos. Não quero que sigam a minha opinião, pois cada um tem o gosto que tem.
Talvez através destes textos possamos trocar impressões sobre as novidades do mundo musical. Por isso, espero que participem também neste espaço.

Fiquem, portanto, atentos, porque vou falar-vos d'O Que Vou Ouvindo!

Abraços!